Homem diagnosticado com 'pior caso' de supergonorreia do mundo acende alerta em médicos

A Organização Mundial da Saúde já havia alertado para a aparição de um perigoso tipo de gonorreia resistente a antibióticos. Agora, um grupo de médicos britânicos anunciou o caso "mais grave" já detectado no mundo.
O Serviço de Saúde do Reino Unido (NHS, na sigla em inglês) explicou que o paciente é um homem que vivia uma relação estável com uma parceira, mas se contagiou com a "superbactéria" no início do ano quando teve um caso com uma mulher no sudeste da Ásia.
Ao aplicar o tratamento tradicional contra a doença - uma combinação de azitromicina e ceftriaxona - os especialistas constataram que o homem não respondia aos antibióticos.

 O grau de resistência em 77 países inclusive o Brasil, segundo a OMS:
-  81% reportaram casos de Neisseria gonorrhoeae resistente à azitromicina
-  97% reportaram casos de bactérias resistentes à ciprofloxacina
- 66% reportaram casos de bactérias resistentes às cefalosporinas de amplo espectro

Mas afinal o que é gonorreia?

A gonorreia é uma das Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) que mais tem crescido no Brasil e no mundo. Além disso, em 2017 a Organização Mundial da Saúde alertou para como a bactéria Neisseria gonorrhoeae está se tornando cada vez mais resistente à antibióticos. 

Nomes populares: Blenorragia, blenorreia, esquentamento, pingadeira, purgação, fogagem, gota matutina, gono, uretrite gonocócica.

Como pode ser transmitido? 

Principal forma de transmissão da gonorreia é por meio de relação sexual com pessoa infectada, seja essa relação oral, vaginal ou anal, sem o uso de preservativo. Pode ocorrer também, durante o parto, transmissão da mãe contaminada para o bebê. Caso esse tipo de transmissão aconteça, corre-se o risco de o bebê ter os olhos gravemente afetados, podendo levar à cegueira. O período de incubação geralmente ocorre entre 2 e 5 dias. O risco de transmissão de um parceiro infectado a outro é de 50% por ato. Pode durar de meses a anos, se o paciente não for tratado. O tratamento eficaz rapidamente interrompe a transmissão.

Sintomas?

Na maioria dos casos, a gonorreia passa desapercebida. Quando há sintomas, alguns são bastante característicos, principalmente na região genital

Sintomas da gonorreia no homem, no pênis, os mais comuns são:
  • Dor e ardência ao urinar
  • Secreção abundante de pus pela uretra
  • Dor ou inchaço em um dos testículos.
Sintomas de gonorreia na mulher, na vagina são:
  • Aumento no corrimento vaginal, que passa a ter cor amarelada e odor desagradável
  • Dor e ardência ao urinar
  • Sangramento fora do período menstrual
  • Dores abdominais
  • Dor pélvica.
Sintomas gerais da gonorreia
A gonorreia também pode surgir em outras partes do corpo:
  • Reto: os sintomas comuns da gonorreia na região anal são coceira, secreção de pus e sangramentos
  • Olhos: dor, sensibilidade à luz e secreção de pus em um ou nos dois olhos
  • Garganta: dor e dificuldade em engolir, presença de placas amareladas na garganta
  • Articulações: se a bactéria afetar alguma articulação do corpo, está poderá ficar quente, vermelha, inchada e muito dolorida.
Sintomas da gonorreia em recém-nascidos
Normalmente os recém-nascidos contaminados com gonorreia no momento do parto podem apresentar sintomas semelhantes a conjuntivite, como:
  • Olhos vermelhos
  • Inchaço das pálpebras.
Em casos mais graves, eles podem apresentar infecções na corrente sanguínea e meningite.

Como é feito o tratamento da gonorreia?

Há dois objetivos no tratamento: o primeiro é curar a infecção do indivíduo, enquanto o segundo é interromper a cadeia de transmissão da doença. Para isso, além de tratar o paciente, é importante localizar e examinar todos os seus contatos sexuais para tratá-los, se indicado. Por se tratar de uma doença bacteriana, o tratamento pode ser feito por meio de antibióticos.
Em casos mais simples o mais comum é o uso de ceftriaxona mais azitromicina. Mas isso varia muito conforme o quadro do paciente.
Uma visita de acompanhamento após o tratamento é importante, principalmente em caso de dor nas articulações, erupções cutâneas ou dores mais fortes na região pélvica ou abdominal. Também devem ser realizados exames para garantir que a infecção tenha sido curada.
Em caso de bebês, rotineiramente os pediatras aplicam um medicamento imediatamente após o parto nos olhos do recém-nascido para evitar infecção. Se ainda assim o bebê desenvolver a infecção, poderá ser tratado com antibióticos também.

Como se prevenir?


Usar preservativos na relação sexual é o melhor meio para se prevenir gonorreia. Use camisinha em todo e qualquer tipo de contato sexual, seja ele vaginal, anal ou oral.

Fontes:
https://www.bbc.com/portuguese/geral-43584352
https://veja.abril.com.br/saude/homem-tem-a-pior-supergonorreia-no-mundo-e-preocupa-medicos/
https://www.minhavida.com.br/saude/temas/gonorreia


Vamos falar sobre sífilis: a IST que virou epidemia nacional





A sífilis é assim, começa com um machucado. Indolor, costuma não ser bonito, mas também não é o fim do mundo. Quando aparece na região genital, fica evidente nos homens, mas pode acabar escondido dentro da vagina da mulher sem chamar atenção. Há ainda outros casos discretos, como na garganta ou no ânus. Aí, quando você está começando a se preocupar, Bam! A ferida desaparece. Parabéns! Seu sistema imunológico é mesmo incrível, né? Na verdade, não. Você só passou para a próxima etapa de uma doença que, a curto ou longo prazo, pode atacar seu cérebro, mudar a estrutura dos seus ossos, deformar seu rosto e matar seus filhos. Você tem sífilis.
A sífilis é um assunto sério! Vamos saber mais sobre essa infecção sexualmente transmissível, suas causas, prevenção e tratamento?!
O que é a sífilis?
É uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST) curável e exclusiva do ser humano, causada pela bactéria Treponema pallidum através de relação sexual sem proteção. Pode apresentar várias manifestações clínicas e diferentes estágios. Ela invade o corpo em quatro fases. Cada etapa determina o quanto o organismo está dominado pelos micro-organismos. 
A primeira, denominada como sífilis primária é rápida (dura no mínimo quatro e no máximo oito semanas) e se manifesta como uma ferida indolor que desaparece sozinha, sem deixar rastros. O fato de o machucado não doer está longe de ser bondade. É estratégia de sobrevivência das bactérias. Se não dói, dá para transar, né?! – e disseminá-las.
A sífilis secundária é ainda mais favorável para as bactérias. A doença volta a dar as caras entre seis semanas e seis meses após os machucados genitais sumirem. A pessoa infectada pode apresentar feridas pelo corpo, manchas vermelhas e lesões na palma das mãos ou dos pés. Esses sintomas que podem ser facilmente confundidos com uma alergia cutânea. E sabia que se você tomar um antialérgico, é provável que as feridas sumam?! O que é péssimo. Essas reações afinal são tentativas do corpo de sinalizar a doença, e uma medicação equivocada para abafar os sintomas mascara o pedido de socorro. Uma vez que os sinais se vão mais uma vez, se torna um passe livre para voltar a transar e multiplicar a espécie da bactéria. E assim começa a terceira fase da doença.
A sífilis latente pode durar até 40 anos, ficando reclusa, quietinha, sem manifestar sintomas. Na verdade, ela perde até seu caráter infeccioso; ou seja, o portador não passa mais a bactéria para frente.
Mas aí vem a sífilis terciária que é a fase aguda da doença. As úlceras que começam a brotar pelo corpo são tão agressivas que, em regiões de contato direto da pele com ossos, como no crânio, o esqueleto começa a ser corroído. Implacável, a infecção ainda ataca os sistemas vascular e nervoso – o que pode acontecer precocemente entre a primeira e a segunda fase. Quando a bactéria finalmente ocupa o cérebro, o infectado começa a sentir alterações de humor e pode desenvolver demência. É a chamada neurosífilis. Nesta última fase, finalmente, transar não ameaça mais aos outros. A sífilis deixa de ser infecciosa e quer acabar somente com o portador.
E um dos alvos mais frágeis é um grupo que tem sofrido particularmente com epidemias recentes no Brasil: as grávidas. Assim como o zika, a sífilis não poupa os bebês. Se uma gestante está infectada, em qualquer fase da doença, a criança pode nascer com sífilis congênita. 59% das crianças nascidas de mães com sífilis também apresentaram sinais da bactéria. A condição pode ocasionar más formações neurológicas e ósseas, além do óbito da criança. 

Como diagnosticar?
Se você se expôs à alguma situação de risco, como praticar sexo sem uso de preservativo, basta fazer o teste rápido (TR) de sífilis que está disponível nos serviços de saúde do SUS, sendo prático e de fácil execução, com leitura do resultado em, no máximo, 30 minutos, sem a necessidade de estrutura laboratorial. O TR de sífilis é distribuído pelo Departamento das IST, do HIV/Aids e das Hepatites Virais/Secretaria de Vigilância em Saúde/Ministério da Saúde (DIAHV/SVS/MS), como parte da estratégia para ampliar a cobertura diagnóstica.
E como é o tratamento?
A infecção pode ser curada com um tratamento barato e simples: algumas doses de penicilina. Se a doença for diagnosticada no primeiro ano, a cura se resume a apenas duas injeções de benzetacil, uma em cada glúteo. Sim, aquela mesma que você encontra na farmácia e que pode ser administrada em  grávidas. Se o diagnóstico só aparecer mais tarde, sem problemas: penicilina cristalina (uma versão mais poderosa do antibiótico) nela, dessa vez por um pouco mais de tempo, duas injeções por glúteo em três doses semanais. Esse procedimento consegue até mesmo impedir a passagem da bactéria da grávida para seu filho.
Mas como é que o Brasil conseguiu virar palco de uma epidemia tão facilmente curável?
Umas das justificativas utilizadas pelo Ministério da Saúde é a queda no uso das camisinhas. Ela, de fato, é real e importante nessa causa, pois o uso da mesma previne não só a sífilis, mas também todas as outras infecções além da gravidez indesejável. Uma outra explicação é que a acessibilidade da penicilina tenha passado de nossa maior aliada para nossa maior inimiga. O preço modesto, que deveria facilitar o acesso da população à droga, desestimula a indústria farmacêutica a fabricá-la. Resultado: em 2015, faltou penicilina nas prateleiras do Brasil. E mesmo quando havia remédio aparecia um problema: ninguém na rede pública queria aplicá-lo, ficando restritos a postos de atendimento onde não havia suporte para a aplicação da medicação em um portador de sífilis, pois havia o risco de um choque anafilático, por exemplo. Até julho de 2015 era proibida a aplicação do medicamento pela equipe de enfermagem de locais que não estivessem equipados e se um enfermeiro do local resolvesse administrar penicilina, poderia ser responsabilizado por isso. O resultado foi o medo: segundo o Ministério da Saúde, 50% das equipes médicas evitavam aplicar penicilina por causa desse receio. Há também uma culpa paterna pela disseminação da doença, pois 62% dos parceiros de mulheres grávidas com sífilis não tomam os medicamentos, dando continuidade ao ciclo da bactéria.
E o que fazer diante disso?
Expor a situação ao público é só uma das frentes de batalha contra a sífilis. Outras medidas urgentes estão em andamento. Com a declaração da epidemia, o governo está articulando para liberar o preço da penicilina, para que fique mais cara. E isso é bom para o combate à sífilis. Apesar de soar contraintuitivo, a realidade é que a indústria farmacêutica não tinha interesse em produzir um medicamento que não lhe desse uma margem de lucro alta, mesmo que curasse centenas de milhares de pessoas. Agora é hora de estimular a produção do remédio. Um parecer do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) também liberou a aplicação dos medicamentos em postos de atendimento. E no momento está havendo um cuidado progressivo com os diagnósticos, pois entre 2001 e 2015 os testes rápidos entregues pelo SUS passaram de 1 milhão para 6 milhões; o Ministério da Saúde afirma que está instruindo médicos a falar de IST e a distribuir o exame na primeira semana de pré-natal. Outra medida de conscientização que deve ser tomada pela população é o uso indispensável do preservativo em toda e qualquer prática sexual, pois dessa forma, vai estar evitando o contato com a bactéria causadora da sífilis e suscetivamente sua propagação. 
Dificilmente essas boas práticas resolverão o problema da sífilis no Brasil, ainda que, sem sentir dor, muitos brasileiros infectados não estejam nas preocupantes estatísticas só porque não foram ao médico perguntar sobre aquela feridinha que, olha só, já passou...
FIQUEM LIGADOS! PREVENÇÃO É A MELHOR ESCOLHA!!!
Fonte: REVISTA SUPERINTERESSANTE: A NOVA CARA DA SÍFILIS
< https://super.abril.com.br/saude/a-nova-cara-da-sifilis/ > acesso em 12 Ago 2018

MINISTÉRIO DA SAÚDE: SÍFILIS < http://www.aids.gov.br/pt-br/publico-geral/o-que-sao-ist/sifilis > acesso em 12 Ago 2018

Sexo Lésbico Também Precisa de Proteção!

          A relação sexual entre pessoas do mesmo sexo pode acontecer de várias formas e o sexo lésbico pode ocorrer por tribadismo, oral-vaginal, penetração digital dentre outras. Um estudo de Botucatu que ocorreu em 2017 demonstrou que das 150 mulheres que tinham relação sexual com outras mulheres, participantes da pesquisa, mais de 45% tinham alguma IST.
            Apesar de ainda muito tabu dentre a sociedade brasileira, há que se pensar na pluralidade de orientações sexuais e ainda nas várias formas de obtenção de prazer sexual entre pessoas diferentes. A partir disso, é necessário combinar a proteção com o prazer em todos os casos. Entretanto, segundo a médica de família e comunidade da Unicamp Thais Machado Dias, acredita-se que a sociedade, por ser machista, interfira  na disseminação do conhecimento de sexo lésbico, dado o grande enfoque ao órgão genital masculino e a participação masculina na relação sexual.
            É importante salientar que o sexo lésbico pode transmitir as doenças do sexo normativo – HIV, HPV, sífilis, gonorreia, clamídia, herpes - e por isso é necessário a prevenção. Porém, não existe um método de barreira que seja específico a esse tipo de sexo e sendo assim, faz-se adaptações dos métodos convencionais para aliar prazer a proteção. São utilizados principalmente camisinha masculina adaptada, camisinha feminina, luva e dental dam – material utilizado por dentistas para isolar a boca em cirurgias.

Fonte: https://super.abril.com.br/saude/quais-sao-as-doencas-transmissiveis-no-sexo-entre-duas-mulheres/

Fonte: https://medium.com/@sogimig/camisinha-feminina-a-melhor-amiga-da-mulher-b79480101d28


Fonte: https://www.healthline.com/health/healthy-sex/dental-dam.

            Há que se considerar ainda a necessidade de conversar com profissionais de saúde que sejam aptos para passar informações corretas. Entretanto, a realidade brasileira ainda é a dificuldade em encontrar profissionais adequados já que “[...] os profissionais não foram preparados para essa assistência adequada à população lésbica, e só vão ser à medida que o movimento lésbico, em parceria com os movimentos feministas, e LGBT forem construindo a pressão social e essa demanda, seja coletivamente nos coletivos, na mídia, seja individualmente nas consultas,” afirma Dias. Além disso, outra dificuldade segundo Rita Helena Borret médica de família e comunidade, membro do Grupo de Trabalho – Gênero, Sexualidade, Diversidade e Direitos da Sociedade Brasileira de Medicina de família e Comunidade, as mulheres lésbicas tem dificuldade de se assumir para profissionais de saúde e em público; fato esse que dificulta ainda mais no processo de orientação.
            Sexo deve ser seguro independente da orientação sexual e da prática sexual!




REFERÊNCIAS
Disponível em: http://diariodepetropolis.com.br/integra/mulheres-lesbicas-precisam-de-orientacao-quanto-a-infeccoes-sexualmente-transmissiveis-154768. Acesso em 30 de agosto de 2018.
Disponível em: https://www.geledes.org.br/precisamos-falar-da-prevencao-de-dsts-entre-lesbicas-e-bissexuais/  . Acesso em 28 de agosto de 2018.
Disponível em: https://super.abril.com.br/saude/quais-sao-as-doencas-transmissiveis-no-sexo-entre-duas-mulheres/ . Acesso em 28 de agosto de 2018.

Mycoplasma genitalium: a IST pouco conhecida que vem alarmando médicos europeus



Uma infecção sexualmente transmissível (IST) ainda pouco frequente no Brasil tem se tornado motivo de preocupação para médicos e pesquisadores do Reino Unido, devido à possibilidade de se tornar uma bactéria super-resistente aos antibióticos mais conhecidos. Trata-se do Mycoplasma genitalium, uma bactéria que ataca o trato geniturinário e afeta tanto homens quanto mulheres.


Fonte: Fine Art America
 
A transmissão da bactéria ocorre por meio de relações sexuais desprotegidas com um parceiro contaminado. Nos homens, ela causa uretrite, ou seja, inflamação da uretra, a qual pode se manifestar por dor e ardor ao urinar, saída de secreção purulenta pelo canal da uretra, vermelhidão na cabeça do pênis e desconforto permanente no órgão. É nas mulheres, no entanto, que a infecção pode ter sintomas e desdobramentos mais graves. A inflamação pode acometer o útero e as tubas uterinas, causando dor - a qual pode estar presente inclusive durante a relação sexual, febre, sangramento e até mesmo infertilidade. Além disso, quando a mulher consegue engravidar, a bactéria causa um risco aumentado de gravidez ectópica, aborto espontâneo e outras complicações na gestação.
Os sintomas da infecção pelo M. genitalium podem ser confundidos com sintomas de outras ISTs mais conhecidas no Brasil, como a clamídia e a gonorreia, que são causadas, respectivamente, pela Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae. Mas a infecção também pode ser assintomática, fazendo com que os pacientes contaminados não busquem tratamento e disseminem o microganismo.
Essa bactéria já é conhecida pelos pesquisadores da área da saúde pelo menos desde 1980. No entanto, o que a tornou alvo de atenção na atualidade é a resistência que ela vem adquirindo aos antibióticos comumente utilizados no tratamento. Essa resistência vem ocorrendo, principalmente, devido ao uso não racional de antibióticos, que faz com que cepas resistentes de bactérias sejam selecionadas. De acordo com o médico Paddy Horner, da Associação Britânica de Saúde Sexual e HIV (BASHH, sigla em inglês), antes de 2009, quase todas as infecções por M. genitalium eram sensíveis ao tratamento com macrolídeos – uma classe de antibióticos. Atualmente, a resistência dela a essa classe de medicamentos já chega a aproximadamente 40%.
O M. genitalium não possui membrana plasmática, uma espécie de “carapaça” que envolve vários tipos de bactérias. Essa característica, isoladamente, já faz com que ela seja resistente a antibióticos cujo mecanismo de ação é a degradação dessa membrana. Além disso, a bactéria tem demonstrado a capacidade de criar resistência aos antibióticos comumente utilizados em sua erradicação. De acordo com o ginecologista Newton Sérgio de Carvalho, membro da Comissão Especializada de Doenças Infectocontagiosas da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), a M. genitalium apresenta uma média de 5 a 10% de resistência às quinolonas, outra classe de antibióticos.


Fonte: Portal Saúde no Ar
 
Devido a essa resistência, as autoridades em saúde do Reino Unido têm buscado estabelecer novas diretrizes para o diagnóstico e tratamento da infecção pelo M. genitalium, na tentativa de evitar que a situação se torne uma calamidade de saúde pública. Apesar da resistência, a base do tratamento continua sendo o uso de antibióticos, que geralmente são ministrados em dose única. Vale lembrar que antibióticos devem ser sempre receitados por um médico e utilizados conforme orientação.
De acordo com o Ministério da Saúde (MS), a realidade do Brasil com relação a essa bactéria ainda é muito diferente daquela verificada no Reino Unido, mas, mesmo assim, é necessário identificar e tratar os pacientes infectados para interromper a cadeia de transmissão da infecção. Uma vez que no Brasil a infecção não é de notificação compulsória, o MS desconhece o número exato de pessoas infectadas. Contudo, o órgão divulgou em nota que vem monitorando desde o ano passado a ascensão do M. genitalium, “que ocorre principalmente no continente europeu, tanto pelo aumento da prevalência quanto pelo aumento da resistência antimicrobiana”, e o que se sabe até o momento, a partir de estudos de prevalência regionais, é que a M. genitalium é menos comum do que outras ISTs, como a clamídia e a gonorreia.
A prevalência da bactéria na população geral é de 1 a 2%, podendo chegar a cerca de 10% entre adolescentes, segundo Newton Sérgio de Carvalho. O médico afirma que ela deve ser foco de atenção em todos os países. “É pouco conhecida. Ficamos com a clamídia no foco e se perde a M. genitalium, o que não deveria acontecer. A clamídia tem muito menos resistência e responde melhor aos antibióticos mais simples”, afirma. Ele destaca ainda que, das pessoas contaminadas, apenas 10% apresenta sintomas.
O diagnóstico é feito de maneira clínica - ou seja, a partir dos sinais e sintomas - na maioria dos casos. “Se há acometimento maior dos órgãos genitais e sistema urinário, pode ser necessário fazer uma pesquisa laboratorial da secreção para definir o melhor antibiótico”, explica o ginecologista Matheus Beleza, do Hospital Santa Luzia. Identificar a bactéria propriamente dita é um processo um pouco mais complexo, que pode ser feito por meio de uma técnica de biologia molecular na qual fragmentos da bactéria são amplificados. Esse teste não está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS). Também existem testes que permitem identificar qual o tipo de resistência que a bactéria apresenta, mas, devido ao elevado custo, são ainda menos acessíveis. No Reino Unido, os testes para detectar a bactéria não estão disponíveis em todas as clínicas. No entanto, os médicos podem obter um diagnóstico enviando amostras para o laboratório da Public Health England - a agência executiva do Departamento de Saúde e Assistência Social.


Fonte: A+ Medicina Diagnóstica

De acordo com Newton Sérgio de Carvalho, a infecção é primeiramente tratada com um tipo de antibiótico ao qual ela apresenta uma resistência de 20% a 30%. Caso o tratamento não seja bem-sucedido, lança-se mão de outro antibiótico, ao qual a resistência da bactéria é de 3% a 5%. Se ainda assim não há sucesso no tratamento, estudos - ainda iniciais - preveem a associação de antibióticos. No entanto, essa associação deve ser feita com parcimônia, diz o médico, para evitar o aumento da resistência bacteriana.
A melhor forma de evitar o M. genitalium é a prevenção, com o uso de preservativo. Tanto a camisinha feminina quanto a masculina são distribuídas gratuitamente pelo SUS, podendo ser retiradas nas unidades de saúde ou em serviços como os Centros de Testagem e Aconselhamento (CTAs). Além disso, segundo Matheus Beleza, “é possível reduzir fatores que abaixam a imunidade, como uso de cigarro e álcool”. Matheus também destaca que “Pacientes com múltiplos parceiros correm mais risco”. Dessa forma, reiteramos que a camisinha deve ser utilizada em todas as relações sexuais.


Fonte: Grupo Gay da Bahia


REFERÊNCIAS

CAVALCANTE, Isabella. Mycoplasma genitalium: IST resistente pode se espalhar pelo Brasil. Disponível em: <https://www.metropoles.com/vida-e-estilo/bem-estar/saude-bem-estar/mycoplasma-genitalium-ist-resistente-pode-se-espalhar-pelo-brasil>. Acesso em: 05 ago 2018.

FOLHA DE S. PAULO. DST pouco conhecida assusta médicos europeus por resistência a antibióticos. Disponível em: <https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2018/07/dst-pouco-conhecida-assusta-medicos-europeus-por-resistencia-a-antibioticos.shtml>. Acesso em: 05 ago 2018.

G1 - BEM ESTAR. Doença sexualmente transmissível pouco conhecida se alastra e alarma médicos por resistência a antibióticos. Disponível em: <https://g1.globo.com/bemestar/noticia/doenca-sexualmente-transmissivel-pouco-conhecida-se-alastra-e-alarma-medicos-por-resistencia-a-antibioticos.ghtml>. Acesso em: 05 ago 2018.

MOURA, Renata. Mycoplasma genitalium: Doença sexualmente transmissível pouco conhecida se alastra e alarma médicos por resistência a antibióticos. Disponível em: < https://www.bbc.com/portuguese/geral-44792267>. Acesso em: 05 ago 2018.

YAHOO! NOTÍCIAS. Resistente, DST se alastra e alarma médicos por resistência. Disponível em: <https://br.noticias.yahoo.com/resistente-dst-se-alastra-e-alarma-medicos-por-resistencia-133423008.html>. Acesso em: 05 ago 2018.

Médico brasileiro busca a cura definitiva do HIV combinando tratamentos e vacina personalizada


Há seis anos, o infectologista Ricardo Diaz devota a maior parte do tempo do seus dias à solução de um problema global: a infecção pelo vírus HIV. 
Diaz, que é pesquisador da Escola de Medicina da Unifesp, lidera um estudo que, no último ano, conseguiu erradicar completamente o vírus HIV de duas pessoas soropositivas, segundo os resultados.
Agora, elas estão sendo acompanhadas para ver como seu organismo reage sem o tratamento experimental.
A infectologista Melissa Medeiros, especialista em HIV e consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia, diz que a pesquisa é "extremamente promissora" e "traz esperança, acima de tudo". No entanto, ela afirma que é preciso avançar nos testes para saber qual seria o impacto do tratamento nas pessoas.
"Quando se fala de algo assim, as pessoas já acham que a cura chegou. Mas é importante saber que há um tempo de pelo menos cinco a 10 anos até as pesquisas chegarem à população. É preciso bastante tempo até sabermos se a pesquisa será mesmo bem-sucedida e se é segura".


Células na corrente sanguínea


Impedindo a volta do vírus HIV
O tratamento contra o HIV disponível atualmente no Sistema Único de Saúde (SUS) é um coquetel de três medicamentos que inibe o máximo possível a reprodução do vírus no corpo, enquanto mantém o sistema imunológico atuante e protege contra infecções oportunistas.
O HIV, no entanto, não é completamente eliminado do organismo, e pode voltar.
A equipe de pesquisadores brasileiros fez uma combinação de medicamentos já utilizados em todo o mundo com mais duas substâncias ainda não usadas neste tipo de tratamento e vacinas personalizadas, feitas com base no DNA de cada participante.
"É a primeira vez no mundo que alguém experimenta esse tratamento específico que fizemos, e a primeira vez que temos resultados tão positivos na primeira etapa. Estamos dando mais um passo na direção da cura", afirmou Diaz 
A primeira etapa do estudo de Diaz - feito com 30 pessoas - foi finalizada. Apenas cinco delas receberam a combinação completa de tratamentos, e entre elas, duas parecem estar livre do vírus, de acordo com os exames. Este grupo deve ser expandido para pelo menos 50 pessoas até o fim do ano.

Qual o objetivo do novo tratamento?
O tratamento proposto pelos pesquisadores brasileiros quer chegar à "cura esterilizante", que é a eliminação completa do vírus, sem a possibilidade de que ele volte a se replicar - algo que atualmente pode ocorrer se o soropositivo para de tomar o coquetel.
"Atualmente, nós tratamos a pessoa, o vírus morre, paramos de tratar, e o vírus volta. Isso ocorre porque o vírus continua se multiplicando no corpo da pessoa mesmo com o tratamento eficiente", explica o infectologista
De acordo com Diaz, a cura total de pacientes com HIV enfrenta três grandes obstáculos - o fato de que o vírus continua se replicando no corpo mesmo com o coquetel, que apenas mantém essa replicação baixa; o fato de que o vírus fica latente, ou seja, "adormecido", e pode voltar à atividade de maneira aleatória; e a existência dos "santuários", locais do corpo humano onde os medicamentos são pouco distribuídos e o HIV pode continuar se desenvolvendo.
"O que fizemos foi combinar tratamentos que pudessem superar todas estas barreiras", afirma.

Como funcionaram os testes
O estudo foi feito inicialmente em 30 pacientes, divididos em grupos de cinco pessoas. Cada um deles experimentou uma combinação diferente, e o último grupo usou todos os tratamentos em conjunto.
Além do coquetel antirretroviral, eles usaram a nicotinamida, ou vitamina B3, um suplemento alimentar que é vendido em farmácias, mas nunca foi usado contra o vírus HIV. Ele "acorda" as células com o vírus latente no corpo.
A pesquisa usou também o sal de ouro, medicação usada para tratar doenças como artrite que não chega a despertar as células com HIV, mas as leva a um "suicídio", explica Diaz.
E, para eliminar os "santuários" de vírus no organismo dos pacientes, os pesquisadores desenvolveram, em parceria com a Universidade de São Paulo (USP), uma complexa vacina personalizada, que faz com que o sistema imunológico volte a reconhecer o vírus dentro do corpo, encontre esses santuários e mate o vírus.
"Desenhamos, de acordo com o perfil genético da pessoa, o pedacinho do vírus que seria importante pra despertar o seu sistema imunológico", diz o infectologista.
Nas cinco pessoas do grupo 6, que fizeram o tratamento completo, a quantidade de vírus diminuiu mais do que em todas as outras. E em duas delas, o vírus sumiu completamente das células.
"Agora estamos estudando como fazer a interrupção desse tratamento, para ver se elas permanecem sem o vírus por mais tempo. Depois, vamos expandir o estudo."

Se for bem-sucedido, o tratamento para curar o HIV seria muito caro?
Diaz afirma que uma vacina personalizada para cada paciente soropositivo no Brasil - e no mundo - seria muito custosa, ainda que ele não tenha uma estimativa real do valor gasto em sua pesquisa até agora.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BBC News Brasil. O médico brasileiro que busca a cura definitiva do HIV combinando tratamentos e vacina personalizada. Disponível em: <https://www.bbc.com/portuguese/brasil-44774194> . Acesso em: 31 jul 18.

ESCOLA PAULISTA DE MEDICINA - UNIFESP. O médico brasileiro que busca a cura definitiva do HIV combinando tratamentos e vacina personalizada. Disponível em: <https://www.unifesp.br/campus/sao/epm/epm-noticias/442-o-medico-brasileiro-que-busca-a-cura-definitiva-do-hiv-combinando-tratamentos-e-vacina-personalizada>. Acesso em: 31 jul 18.

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